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Paulo Schonenberg

Entrevista: Paulo Schonenberg

O engenheiro mecânico Paulo Eugenio Schonenberg, 50 anos, ocupa a Presidência da ANFIDC há cerca de dois meses. Sua proposta é trabalhar em equipe com a Diretoria Executiva para ampliar a capacidade de relacionamento com os públicos de interesse da Associação e implementar prioridades para o ano que inicia.

Paulo se divide entre a Presidência da ANFIDC e o cargo de Chief Executive Officer (CEO) do Grupo Sifra, que completa 24 anos de fundação em 2017. Ele é casado, pai de duas filhas e não deixa de jogar tênis nas horas vagas, seu hobby preferido.

Publicado em: 16 de Janeiro de 2017

Veja como esse paulistano, filho de alemães, organiza o plano de mudanças que pretende implementar na ANFIDC.

ANFIDC: Como está estruturada a nova diretoria da ANFIDC?

Paulo Schonenberg: Houve uma mudança na organização da direção da ANFIDC. Formamos uma Diretoria Executiva, com o propósito de democratizar, compartilhar e dar mais velocidade às metas e objetivos, de acordo com as diretrizes estratégicas da Associação e os planos estabelecidos anualmente. Estamos trabalhando em equipe.

O grupo é composto de seis integrantes que atuam em conjunto, com funções específicas, sendo uma Diretoria Jurídica, responsável pela assessoria jurídica ao associado, relacionamento com o Judiciário e a aproximação com a magistratura, a cargo de Alexandre Silveira. Uma Diretoria de Assuntos Institucionais, que atua junto aos órgãos reguladores e entidades diversas do mercado financeiro e cuida da reputação e imagem do setor junto à imprensa e ao mercado, sob a responsabilidade de Francisco da Costa Carvalho. Uma Diretoria de Eventos, que responde por estreitar o relacionamento e a comunicação com os associados, com uma programação de eventos, encontros e palestras, sob o comando de Alberto Gonçalves. Uma Diretoria Operacional, destinada à gestão financeira, manutenção e funcionamento da Associação, chefiada por Klever Lairana Mueller. Uma Vice-Presidência, a cargo de Claudio Halaban, com a atribuição de promover a aproximação com os players do mercado e desenvolver parcerias com entidades de classe, além de apoiar, assessorar e substituir o Presidente, e a Presidência que tem a representação ativa da ANFIDC, constituindo e outorgando ações, poderes e estratégias que se fizerem necessárias e coordenar os trabalhos da Diretoria.

ANFIDC: Qual é a sua proposta de trabalho da Diretoria Executiva para o triênio?

Paulo Schonenberg: Inicialmente, estamos pensando no curto prazo, trabalhando em conjunto, como uma força-tarefa, para tratar quatro prioridades neste primeiro ano de mandato.

O primeiro ponto é dar foco no relacionamento e aproximação com entidades relacionadas ao setor, nos posicionando, zelando pelos interesses da indústria e promovendo o segmento. Nesse sentido, já estamos trocando informações e envolvendo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em ações importantes para os FIDCs, como é o caso do “Manual de Melhores Práticas”, que delineia um código de conduta para o setor, já aprovado em Audiência Pública realizada pela ANFIDC. Estamos ampliando também o relacionamento com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), apresentando nosso posicionamento, necessidades e operações em reuniões.

O segundo ponto é fazer com que o associado se sinta fortemente representado. A nova Diretoria, por sua abrangência, tem mais capilaridade para esse objetivo de forma a estabelecer maior proximidade com nosso público estratégico: o associado.

Um terceiro objetivo é crescer a base de associados. Isso vai nos dar mais consistência, credibilidade e força em nossa representatividade. Nesses dois meses de mandato, a nova Diretoria já trouxe 12 novos associados e queremos ter mais 20 empresas nos próximos meses. Nosso segmento ainda é pequeno, somos cerca de 200 FIDCs ao todo no Brasil, mas temos a expectativa de que conseguiremos ampliar nossa base para entre 140 e 150 coligados, representando 75% do mercado.

ANFIDC: E a quarta prioridade?

Paulo Schonenberg: A quarta bandeira é melhorar a comunicação, o que vai permitir estabelecer um relacionamento mais estreito, maior intercâmbio de ideias e abertura para o feedback dos associados. Para isso, já agendamos reuniões mensais, com disciplina e organização desenhadas no Manual de Regras e Procedimentos Aplicáveis às Reuniões Mensais, para otimizar o seu funcionamento e convidamos seis associados para participar desses encontros, a partir de fevereiro. Cada associado convidado representa um segmento dos FIDCs nas reuniões mensais: teremos um FIDC de grande porte e um de pequeno porte, dois principais administradores e custodiantes, um investidor e um gestor, além da Diretoria Executiva.

Essas são nossas quatro prioridades, mas tem muita mudança já acontecendo em vários segmentos da Associação.

ANFIDC: Pretende trabalhar a comunicação para fora?

Paulo Schonenberg: Vamos reforçar a comunicação externa para estabelecer maior relacionamento com os stakeholders (entidades reguladoras, investidores, administradores, agências classificadoras e imprensa, entre outros) – a aproximação com esses públicos é a tônica. A proposta é rever a estratégia de comunicação, divulgando mais os FIDCs e esclarecendo para o mercado tudo sobre o tema.

Ao mesmo tempo, estamos desenvolvendo uma programação de eventos e especialmente realizar, já no primeiro semestre de 2017, o II Encontro Nacional ANFIDC, que é um marco importante e necessário para ampliar o debate sobre a indústria. Vamos incrementar o website também.

ANFIDC: Já tem uma ideia do que pretende fazer nos dois anos subsequentes?

Paulo Schonenberg: Estamos analisando tudo com calma, nossa dinâmica é de mudança. Estamos transferindo a sede da ANFIDC para São Paulo, contratando uma pessoa do mercado para operacionalizar as atividades da Associação e temos muitas frentes.

Com os frutos colhidos nesse primeiro ano, desenvolveremos os planos para os dois anos seguintes. Estamos entusiasmados com as possibilidades. Tenho certeza que com a concretização das mudanças relacionadas, o alcance das metas anuais, a velocidade das ações e a representatividade reforçada teremos a base para o biênio posterior.

ANFIDC: Como está o processo do “Manual de Melhores Práticas”?

Paulo Schonenberg: Desenvolvemos o “Manual de Melhores Práticas” e compartilhamos com a Anbima, que está analisando o documento para sancioná-lo. A Anbima incorporará o documento, que fará parte dos seus manuais institucionais, recomendando para o mercado de FIDCs e, a partir daí, passará a fiscalizar as práticas de gestão de administradores e custodiantes.

ANFIDC: Quais outras frentes vocês estão trabalhando?

Paulo Schonenberg: Acabamos de entregar à Anbima o nosso parecer e sugestões sobre um “Questionário de Contratação do Consultor de Crédito”, desenvolvido pelo Comitê de FIDCs da Anbima, cuja proposta é regular que o administrador faça a fiscalização do porte do consultor, com relação às políticas de crédito e prevenção de riscos.

Paralelamente, estamos trabalhando numa proposta para reforçar a questão da auditoria de lastro, focada no mercado de FIDC, com a visão do investidor, feita por empresas reconhecidas de mercado, como a KPMG, Ernest Young, Price ou Baker Tilly.

Iniciamos também uma aproximação com a Escola de Magistratura, em São Paulo, para desenvolver um processo de educação (através de cursos, palestras, simpósios) para maior entendimento dos FIDCs, securitização e recebíveis, entre outros temas relacionados.

ANFIDC: Como você vê o mercado de FIDC em 2017?

Paulo Schonenberg: Esses próximos dois anos ainda serão difíceis. Estamos trabalhando com a perspectiva de crescimento nulo em 2017, um Produto Interno Bruto (PIB) próximo do zero.

A crise econômica está afetando o mercado como um todo. No nosso negócio, a queda do faturamento dos clientes nos atinge em cheio porque dependemos da compra de recebíveis.

Antigamente, nosso maior foco estava no “risco sacado”, dentro do conceito cedente-sacado. Se havia um sacado bom, concentrávamos o negócio nele. Uma empresa que antes nunca se imaginou ter problemas, agora, está tendo dificuldades financeiras – a concentração passou a ser preocupante. Hoje, em função da dificuldade do mercado, é preciso pulverizar mais a carteira. Quando pulverizamos, precisamos ampliar a carteira. Temos que angariar mais clientes e reforçar o time comercial.

Além disso, os custos para operacionalizar as atividades tendem a aumentar, as exigências do mercado estão se ampliando e a dificuldade de captação está maior.

Mas tenho uma visão mais otimista da crise. Ela nos ensina, nos ajuda a ficar mais criativos e enxergar novas possibilidades e oportunidades.

No nosso mercado, por exemplo, penso que os FIDCs podem abocanhar o mercado que hoje é dos bancos. Os bancos vão continuar muito restritivos ao crédito e nós vamos ter a oportunidade de conquistar os clientes “bancarizados”. O banco adota uma política global de concessão de crédito que atinge os bons e maus clientes. Os bons clientes vão se sentir desassistidos, vão perder crédito e vão buscar o nosso mercado. E queremos esse cliente bom, é claro.

Em 2016, os FIDCs já tiveram um crescimento de carteira maior do que o do mercado bancário. Viemos num processo de tomada de mercado de bancos – já é uma realidade. Acho que esse movimento vai permanecer em 2017 e 2018.

ANFIDC: Fale um pouco do Grupo Sifra.

Paulo Schonenberg: O Grupo Sifra é uma empresa do segmento de gestão de recebíveis e estruturação de negócios. Nossa história, estrutura de capital e abrangência nacional nos credencia como um grupo sólido, competente e de credibilidade.

Somos 220 funcionários localizados em 12 filiais, em todas as regiões do país. Como diferencial, oferecemos ao cliente a maior gama de produtos e serviços disponíveis no mercado de FIDCs.

Temos a característica de trabalhar em parcerias, de diversas formas, entre elas: parcerias com duas gestoras, dois administradores e custodiantes. Na Região Nordeste, temos um fundo em sociedade e parceria com empresários locais. Somos uma empresa muito aberta ao novo, vamos ao mercado fazer benchmarking para ouvir, aprender, trocar e saber o que está acontecendo de mais moderno e inovador.

Nesses 24 anos de existência, o Grupo Sifra tornou-se uma das maiores empresas do segmento do mercado, com muito trabalho, inovação e segurança.

Associação Nacional dos Participantes em Fundos de Investimento em Direitos Creditórios Multicedentes e Multissacados