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Photo by Pixabay

WEBINAR ANFIDC e SPC Brasil - O impacto da crise nas empresas

Em live promovida pela ANFIDC e o SPC Brasil, especialistas dizem que crédito tem papel essencial na recuperação econômica do Brasil pós-pandemia.

Publicado em: 25 de Agosto de 2020

A ANFIDC e o SPC Brasil realizaram no dia 25 de agosto, a live “Impacto da crise nas empresas que utilizam o serviço do SPC”, com participação de Luis Eduardo da Costa Carvalho, presidente da ANFIDC, e de Roque Pellizzaro Jr., presidente do SPC Brasil.

Sobre a recuperação da economia de modo geral, Pellizzaro vê como fundamental a participação do governo e do Banco Central (BC) principalmente no que se refere ao fornecimento de crédito.

“Mas não é só o crédito público, tem o privado também. É preciso convencer os investidores a fornecer crédito para as empresas”, disse. “Deve haver um redesenho do mercado de recebíveis num futuro próximo. A chegada do PIX (plataforma do BC para pagamentos e transferências instantâneas) deve substituir o cartão de débito e garantir mais segurança as empresas de crédito. Hoje temos uma série de Fintechs que chegaram para ajudar os pequenos varejistas, não só com tecnologias, mas com ideias para ajudar a vender melhor”, completou.

Para Luis Eduardo da Costa Carvalho, a crise não foi avassaladora no mercado financeiro, pelo contrário, as empresas do setor podem ter papel fundamental na recuperação da economia.

“Estamos vivendo um período de grandes desafios e grandes mudanças na atividade econômica e a ferramenta do crédito passa a ter uma relevância neste processo. A indústria dos FIDCS atravessou a pandemia com resultados muito acima das expectativas. Há uma preocupação por parte do governo, especialmente do BC, de aumentar a competitividade do mercado financeiro. E aí estão grandes oportunidades para parcerias entre varejistas e financiadoras”, resumiu Carvalho.

Segundo Pellizzaro, a crise provocada pela pandemia do coronavírus é uma crise de fluxo. “Atualmente vivemos em um mundo just in time, com quantidades menores, mas com consumo constante nas residências. Quando você interrompe o fluxo, as pessoas e comércios são muito afetados, pois não há grandes estoques”, explicou.

Segundo ele, a pandemia não atingiu os mercados de forma homogênea e se assemelhou em muito a ação da Covid-19, no qual muitos pacientes que tinham o vírus eram assintomáticos, enquanto outros que foram contaminados necessitaram de cuidados especiais ou até morreram.

“De um lado, tivemos bares e restaurantes, por exemplo, que sofreram muito por causa da pandemia, pois tiveram de fechar suas portas, por vezes, em definitivo. Do outro, setores como lojas de magazines tiveram um crescimento, pois as pessoas tiveram de investir em eletrodomésticos mais robustos e móveis mais confortáveis”, comentou Pellizzaro. “O setor de brinquedos também cresceu, uma vez que as crianças, que estavam fora das escolas, não conseguiam mais ficar o tempo todo com os olhos nos celulares.”

Outro aspecto levantado pelo especialista é com relação ao cenário que está surgindo com a aproximação do fim da pandemia. Segundo ele, deve haver uma “hibridização” dos modelos de comércio.

“O crescimento do comércio eletrônico e da afinidade 'forçada' das pessoas com estas tecnologias durante a pandemia ajudou a criar a possibilidade de um cenário híbrido. O e-commerce ajudou a transformar as lojas físicas em centro de distribuição dos pedidos online e esta pode ser uma saída para a crise, inclusive com lojas de bairro fazendo parte do circuito, por estarem mais próximas dos consumidores”, disse.

Na opinião dele, empresários que não se apavoraram no começo da quarentena e mantiveram seus quadros de funcionários e conseguiram alongar os prazos de abastecimento dos estoques saíram na frente quando o assunto é a retomada das atividades.

“Quem manteve a capacidade de atender ao cliente logo após a reabertura saiu na frente e, como a concorrência estava reduzida, conseguiu até um crescimento durante a pandemia”, comentou Pellizzaro.

Para Pellizzaro, o auxílio emergencial foi essencial para a redução dos impactos da crise como um todo, uma vez que ajudou a população a “manter o nome limpo” e reduziu os índices de inadimplência.

O especialista chama a atenção para a possibilidade de a fase mais aguda da crise ter sido apenas postergada. “Na minha opinião, ainda não vimos o olho do furacão. Este momento chegará quando o governo cortar o auxílio emergencial e os créditos aos empresários”, ponderou.